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Peptídeos / Hormônio do crescimento

O que se sabe sobre Tesamorelina

Análogo do GHRH aprovado nos EUA desde 2010 para reduzir gordura abdominal em adultos com HIV e lipodistrofia. Não tem registro no Brasil.

Também chamado de tesamorelin, Egrifta, Egrifta WR, TH9507, TH-9507. Análogo sintético do GHRH, com 44 aminoácidos.

Revisado em 15/09/2026, com 15 fontes abertas e conferidas. O pep.red não vende peptídeos.

Não é recomendação de uso. Esta página explica o que foi estudado e o que as agências decidiram. Ela não indica dose, protocolo ou uso, e não diz que Tesamorelina é seguro para você.

Resposta curta

Funciona para o que foi testado: em dois ensaios de fase 3 com 816 adultos com HIV e lipodistrofia, reduziu a gordura visceral mais que o placebo 345. Para emagrecer não há prova, e a bula diz que o efeito no peso é neutro 3. Não tem registro na Anvisa e é proibida no esporte 26.

A ficha

Aprovado fora do Brasil

Anvisa (Brasil)
Sem registro Na base de dados abertos de medicamentos da Anvisa, com processos até 11/09/2026, nenhum produto tem tesamorelina como princípio ativo, e o nome Egrifta não aparece 2. Não encontramos ato da Anvisa que cite a tesamorelina pelo nome (busca em 15/09/2026); a nota de 02/07/2026 sobre peptídeos irregulares cita outros peptídeos, não este 1. Consultado em 15/09/2026
FDA (EUA)
Aprovada como Egrifta, só para HIV com lipodistrofia Aprovada em 10/11/2010 como Egrifta, da Theratechnologies, para reduzir o excesso de gordura abdominal em adultos com HIV e lipodistrofia; a formulação mais nova, Egrifta WR, teve bula aprovada em 25/03/2025 73. A bula diz que ela não é indicada para perda de peso e que a segurança cardiovascular de longo prazo não foi estabelecida 3. Consultado em 15/09/2026
WADA (antidoping)
Proibida em todo tempo (classe S2) A Lista Proibida 2026 cita a tesamorelina pelo nome entre os análogos do GHRH (S2.2.4), numa classe proibida dentro e fora de competição 6. Consultado em 15/09/2026
Estudos em pessoas
2816 pessoas no totalContamos só os dois ensaios de fase 3 que levaram à aprovação, com 412 e 404 pacientes com HIV randomizados; existem outros ensaios menores, como em gordura no fígado, cognição e diabetes tipo 2 458913.
Artigos no PubMed
104em 15/09/2026São 104 artigos no PubMed com tesamorelina, TH9507 ou Egrifta no título ou resumo, de todo tipo; quase todos envolvem pessoas, e só 3 estão marcados como estudo em animais sem pessoas 10.

A linha do tempo

  1. 2007PessoasPrimeiro fase 3, com 412 pacientes com HIV 4
  2. 2010PessoasSegundo fase 3, com 404 pacientes, e efeito que some ao parar 5
  3. 2010RegulaçãoFDA aprova o Egrifta 7
  4. 2012RegulaçãoPedido na Europa é retirado sem parecer favorável 11
  5. 2019PessoasEnsaio reduz gordura no fígado em pessoas com HIV 8
  6. 2025RegulaçãoFDA aprova a bula do Egrifta WR 73
  7. 2026PessoasPiloto com 22 adultos sem mudança em cognição 12

O que foi medido

Em pessoas

Menos gordura visceral, em HIV com lipodistrofia

No primeiro ensaio de fase 3, com 412 pacientes com HIV e acúmulo de gordura abdominal, a gordura visceral caiu 15,2% com tesamorelina e subiu 5,0% com placebo em 26 semanas 4. Triglicérides e a relação entre colesterol total e HDL também melhoraram 4.

Em pessoas

O efeito some quando para

No segundo ensaio, com 404 pacientes, a redução da gordura visceral se manteve em quem continuou por 12 meses e se perdeu rapidamente em quem trocou para placebo 5. A gordura sob a pele do abdome e a dos braços e pernas não mudou 5.

Em pessoas

O peso não muda

Nos dois ensaios de fase 3, o peso corporal praticamente não mudou em relação ao placebo 3. A bula diz que o efeito no peso é neutro e que o remédio não é indicado para emagrecer 3.

Em pessoas

Menos gordura no fígado

Em 61 pessoas com HIV e esteatose hepática, 12 meses de tesamorelina reduziram a fração de gordura do fígado mais que o placebo, sem diferença de glicose ou hemoglobina glicada entre os grupos 8.

Em pessoas

Fora do HIV, pouca coisa medida

Em 53 pessoas com diabetes tipo 2, a tesamorelina não alterou a resposta de insulina nem o controle da glicose em 12 semanas 13. Num piloto de 2026 com 22 adultos, não houve mudança significativa em cognição, composição corporal ou sono 12. Em 73 pessoas com HIV e obesidade abdominal, reduziu a cintura, mas não melhorou a cognição mais que o tratamento padrão 9.

O que se conta por aí

“o Tesamorelin promove efeitos metabólicos importantes, especialmente relacionados ao metabolismo lipídico e à redução da gordura visceral”
site brasileiro que vende peptídeos, lido em 15/09/2026.

Onde torceu: A redução de gordura visceral foi medida em adultos com HIV e lipodistrofia. A bula diz que o efeito no peso é neutro e que o remédio não serve para emagrecer 34.

“Combinação muito usada para potencializar GH.”
mesmo site, sobre tesamorelina com ipamorelina, lido em 15/09/2026.

Onde torceu: No PubMed, os artigos que citam as duas substâncias juntas são revisões; não achamos ensaio em pessoas com a mistura 15. "Muito usada" não mede efeito nem segurança.

“Alguns estudos relatam possíveis efeitos leves como irritação no local da aplicação, coceira, edema periférico, náusea leve ou vermelhidão.”
loja brasileira de peptídeos, lida em 15/09/2026.

Onde torceu: A bula também lista intolerância à glicose e diabetes, IGF-1 persistentemente alto e retenção de líquido com síndrome do túnel do carpo, e contraindica o uso em câncer ativo e na gravidez 3.

Segurança: o que se mediu e o que é hipótese

  • Medido. Nos ensaios, os efeitos mais relatados foram reações alérgicas na pele, inchaço e dor nas articulações, glicose alta e reação no local da injeção 3.
  • Medido. Em 26 semanas, 5% dos tratados e 1% do grupo placebo passaram a ter hemoglobina glicada na faixa de diabetes; a bula manda avaliar a glicose antes e durante o uso 3.
  • Medido. Entre quem usou por 26 semanas, 36% ficaram com IGF-1 muito acima do normal para a idade; a bula diz que o efeito de IGF-1 alto por muito tempo é desconhecido 3.
  • Hipótese. Na Europa, o comitê da EMA considerou o IGF-1 alto uma preocupação de segurança importante, por possível risco de câncer e de piora da retinopatia diabética, e apontou falta de dados de longo prazo 11.
  • Hipótese. Como a tesamorelina estimula hormônio do crescimento, a bula contraindica o uso em câncer ativo e pede cautela em quem já teve câncer 3.

Onde isso te deixa

O que dá para saber hoje

Que a tesamorelina reduz gordura visceral em adultos com HIV e lipodistrofia, que o efeito se perde ao parar e que o peso não muda 453.

O que ainda não dá

Não dá para saber se ela funciona em quem não tem HIV, nem qual é o risco cardiovascular e de câncer em uso longo 311. E um produto sem registro no Brasil não oferece garantia de origem ou composição 12.

Uma pergunta para levar ao médico

A gordura da minha barriga é visceral ou sob a pele, e existe tratamento com registro no Brasil indicado para o meu caso?

Perguntas frequentes sobre Tesamorelina

Tesamorelina tem registro na Anvisa?

Não. Na base de medicamentos registrados da Anvisa não há produto com tesamorelina nem com o nome Egrifta 2.

Tesamorelina emagrece?

Não foi feita para isso. Nos ensaios, reduziu gordura visceral em pessoas com HIV sem mudar o peso, e a bula diz que não é indicada para perda de peso 34.

Para que serve o Egrifta?

Para reduzir o excesso de gordura abdominal em adultos com HIV e lipodistrofia, a única indicação aprovada pela FDA 73.

Tesamorelina é aprovada na Europa?

Não. O pedido de registro na Europa foi retirado em 2012. Naquele momento, o comitê da EMA achava que a redução de gordura não tinha mostrado benefício real de saúde e que o IGF-1 alto era um risco importante 11.

Tesamorelina dá positivo no antidoping?

É proibida. A Lista Proibida 2026 cita a tesamorelina pelo nome na classe S2, proibida dentro e fora de competição 6.

Qual a diferença entre tesamorelina e CJC-1295?

As duas imitam o GHRH. A tesamorelina tem ensaios de fase 3 e aprovação da FDA para uma indicação; o CJC-1295 não tem aprovação e só foi testado em adultos saudáveis 14.

Peptídeos relacionados

  • CJC-1295Análogo do GHRH vendido em duas versões. Só a versão com DAC foi testada em gente, em 63 adultos saudáveis; a sem DAC nunca foi.
  • IpamorelinaPentapeptídeo que faz a hipófise liberar hormônio do crescimento. Em pessoas, foi testado em dois estudos, e o ensaio clínico não mostrou benefício.

Fontes

  1. 1Anvisa. Checamos: peptídeos que prometem milagres NÃO estão registrados na Anvisa. Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2026. Acesso em 15/09/2026.
  2. 2Anvisa. Dados abertos: medicamentos registrados no Brasil (DADOS_ABERTOS_MEDICAMENTOS.csv). Portal de Dados Abertos da Anvisa, 2026. Acesso em 15/09/2026.
  3. 3Theratechnologies Inc. EGRIFTA WR (tesamorelin) for injection: prescribing information. U.S. Food and Drug Administration (Drugs@FDA), 2025. Acesso em 15/09/2026.
  4. 4Falutz J, Allas S, Blot K, Potvin D, Kotler D, Somero M, Berger D, Brown S, Richmond G, Fessel J, Turner R, Grinspoon S. Metabolic effects of a growth hormone-releasing factor in patients with HIV. New England Journal of Medicine, 2007. Acesso em 15/09/2026.
  5. 5Falutz J, Potvin D, Mamputu JC, Assaad H, Zoltowska M, Michaud SE, Berger D, Somero M, Moyle G, Brown S, Martorell C, Turner R, Grinspoon S. Effects of tesamorelin, a growth hormone-releasing factor, in HIV-infected patients with abdominal fat accumulation: a randomized placebo-controlled trial with a safety extension. Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes, 2010. Acesso em 15/09/2026.
  6. 6Agência Mundial Antidopagem (WADA); tradução da ABCD. Código Mundial Antidopagem. Padrão Internacional: Lista Proibida 2026 (tradução em português). Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, 2026. Acesso em 15/09/2026.
  7. 7FDA. Drugs@FDA: BLA 022505, Egrifta (tesamorelina), Theratechnologies. U.S. Food and Drug Administration, 2026. Acesso em 15/09/2026.
  8. 8Stanley TL, Fourman LT, Feldpausch MN e outros. Effects of tesamorelin on non-alcoholic fatty liver disease in HIV: a randomised, double-blind, multicentre trial. The Lancet HIV, 2019. Acesso em 15/09/2026.
  9. 9Ellis RJ, Vaida F, Hu K, Dube M, Henry B, Chow F, Heaton RK, Lee D, Sattler F. Effects of Tesamorelin on Neurocognitive Impairment in Persons With HIV and Abdominal Obesity. Journal of Infectious Diseases, 2025. Acesso em 15/09/2026.
  10. 10National Library of Medicine. Busca no PubMed: tesamorelina, TH9507 e Egrifta no título ou resumo. PubMed, 2026. Acesso em 15/09/2026.
  11. 11European Medicines Agency, CHMP. Questions and answers: withdrawal of the marketing authorisation application for Egrifta (tesamorelin) (EMA/CHMP/475021/2012). European Medicines Agency, 2012. Acesso em 15/09/2026.
  12. 12Stewart CE, French KP, Wright TJ e outros. The effect of growth hormone-releasing hormone on cognition and brain connectivity in adults with cognition ranging from normal to mild cognitive impairment. eNeurologicalSci, 2026. Acesso em 15/09/2026.
  13. 13Clemmons DR, Miller S, Mamputu JC. Safety and metabolic effects of tesamorelin, a growth hormone-releasing factor analogue, in patients with type 2 diabetes: A randomized, placebo-controlled trial. PLoS One, 2017. Acesso em 15/09/2026.
  14. 14Dominikowski A, Rękoś Z, Olejarz M. The emerging landscape of performance-enhancing peptides modulating GH-IGF1 axis: bridging the gap between clinical evidence and patient self-administration. Frontiers in Endocrinology, 2026. Acesso em 15/09/2026.
  15. 15National Library of Medicine. Busca no PubMed: tesamorelin[tiab] AND ipamorelin[tiab]. PubMed, 2026. Acesso em 15/09/2026.